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| Por Anahuac | |
| 23 de janeiro de 2006 | |
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Quem "ataca" o deus-mercado *não* está com isso pronunciando um voto de pobreza. Está, na verdade e mesmo sem o saber, ressoando Platão, sobre a natureza humana. Explico-me, refraseando ou citando meu colega Arnaldo Fortes Drummond, da UFU: Nas sociedades arcaicas, o mito (no sentido de crença e rito) e a sabedoria de vida constituÃam a linguagem sistematizada do *ethos*. Na segunda metade do século V a.C., o ethos tradicional entra em choque com o novo modo de viver das cidades-estados, sobretudo da Jônia na Grécia Clássica, onde o desenvolvimento técnico, mudanças na organização social e novos bens simbólicos quebram a estrutura da tradição. Dessa quebra surge a ilustração sofista, que institui o antropocentrismo no pensamento filosófico ocidental. Sócrates quis retirar a ética da frágil condição em que a colocaram o subjetivismo moral dos sofistas e o decorrente ceticismo generalizado da sociedade do seu tempo. Nisso descobre que a mudança antropocêntrica do pensamento sofista havia falhado, paradoxalmente, por naturalizar o agir moral, escravizando-o aos apetites do desejo. Combatiam a moral tradicional, mas negavam a possibilidade de uma teoria moral *objetiva*. Ao contrário, para Sócrates humanizar o agir moral significa torná-lo virtuoso por meio do *auto-domÃnio*. Sócrates foi o mestre de Platão. Platão considera o amor à riqueza uma paixão ou desequilÃbrio. Condena a acumulação, argumentando que poucos homens resistem ao assédio do lucro e não se contentam em ganhar dinheiro moderadamente (Leis, IX, 918c-919b). A maioria não controla impulsos e paixões e persegue lucros ilimitados. A economia, tomada como este ideal de riqueza, é em Platão um saber inferior porque desvia a natureza humana da sua vocação racional e livre, enquanto estimula a parte irracional e concupiscente da alma, inclinada ao desejo e à paixão (Republica, VI, 490b). Ambos foram corajosos. Dotados de mais coragem do que quantos bundões aqui cultuem a avareza e vassalem seu alto clero, seja surtando em pânico ao lerem divindade ligada a mercado por hÃfen, seja entoando odes de rancoroso louvor hifenizando esquerdismo a miséria. E também, de mais brio e caráter do que esses mostram ser, de esperteza e riqueza. Este texto foi postado pelo Prof. A. D. Rezende na lista de discussão do PSL_BR. Pedi autorização para publicá-lo, desde que fizesse referência ao autor original do mesmo. Leio Arnaldo Fortes Drummond em "Morte do mercado - Ensaio do agir economico", da editora Unisinos. |
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| Última Atualização ( 12 de abril de 2006 ) |